08 agosto 2008

Ao amor antigo

Ao Amor Antigo
O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade

4 comentários:

Catarino disse...

Bela poesia.
Vim visitar a amiga e ver as novidades.
Espero que tenha tido ótimas férias.
Abraço.

dete disse...

É um amor maduro, que sobrevive e aumenta com cada obstáculo, é verdade, este sim é o verdadeiro amor, beijos e bom fim de semana

RESSACA ® disse...

Pedindo antecipadas desculpas pela “invasão” e alguma usurpação de espaço, gostaríamos de deixar o convite para uma visita a este Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa...

Rita Costa disse...

Oi, Carlene!
Estou passando para vêr as novidades e também desejar um ótimo fim de semana.
Adorei a postagem!
Penso que esse é, um dos melhores poemas de Drummond. Belíssima escolha, querida. :) Beijus

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